Glossário Financeiro

 Já leu um artigo sobre finanças e travou num termo que não conhecia? Este glossário existe para isso. Aqui você encontra os termos financeiros mais usados no dia a dia — explicados em português simples, com exemplos práticos da vida real.

Não é um dicionário técnico. É um tradutor. Para que nenhuma palavra estranha seja motivo de desistência.

Não encontrou o termo que procurava? Escreva para odinheirodafamilia@gmail.com ou deixe nos comentários — adicionamos novos verbetes toda semana.

 A

Amortização

Processo de redução gradual de uma dívida ao longo do tempo, através de pagamentos periódicos que cobrem parte do valor principal e os juros.

Na prática: Quando você paga a parcela do financiamento do carro, parte do valor reduz o saldo devedor (amortização) e parte paga os juros do período.

Ativo

Qualquer bem ou recurso que tem valor e pode gerar renda ou ser convertido em dinheiro. Imóveis, investimentos, veículos e saldos em conta são exemplos de ativos.

Na prática: A casa própria é um ativo — tem valor de mercado. O carro também, embora se desvalorize com o tempo.

B

Banco Central

Instituição do governo federal responsável por controlar a política monetária do Brasil, regular o sistema financeiro e definir a taxa Selic.

Na prática: Quando o Banco Central sobe a Selic, ele está tentando reduzir a inflação ao encarecer o crédito e desestimular o consumo.

Boleto bancário

Documento de cobrança emitido por bancos que permite o pagamento de contas, compras e serviços em qualquer agência bancária, lotérica ou pelo internet banking.

Na prática: Ao comprar algo parcelado sem cartão, você geralmente recebe boletos mensais para pagar em cada vencimento.

C

Cartão de crédito rotativo

Modalidade de crédito ativada automaticamente quando você paga menos do que o valor total da fatura do cartão. É o crédito mais caro do mercado brasileiro, com juros que podem ultrapassar 400% ao ano.

Na prática: Se sua fatura vence com R$ 1.000 e você paga apenas o mínimo de R$ 150, os R$ 850 restantes entram no rotativo e começam a gerar juros imediatamente.

CDI (Certificado de Depósito Interbancário)

Taxa de juros que os bancos cobram entre si em empréstimos de curtíssimo prazo. É muito próxima da Selic e serve como referência para o rendimento de muitos investimentos, como CDBs e fundos.

Na prática: Quando um CDB rende '100% do CDI', significa que ele acompanha quase exatamente a taxa Selic.

CDB (Certificado de Depósito Bancário)

Investimento de renda fixa emitido por bancos. Ao comprar um CDB, você empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Pode ter liquidez diária ou prazo definido.

Na prática: Um CDB com liquidez diária que rende 100% do CDI é uma boa alternativa à poupança para guardar a reserva de emergência.

Cheque especial

Limite de crédito automático que o banco oferece na conta corrente. Quando o saldo vai a zero e você continua usando a conta, o banco cobre o valor — e cobra juros altíssimos por isso.

Na prática: Usar o cheque especial por apenas 10 dias no mês pode custar mais do que um empréstimo pessoal pelo período inteiro. Deve ser evitado.

Consignado

Modalidade de empréstimo em que as parcelas são descontadas diretamente do salário ou benefício do INSS, antes mesmo do dinheiro chegar à conta. Por isso, tem taxas menores que outros empréstimos.

Na prática: Aposentados e servidores públicos têm acesso ao crédito consignado, que costuma ter as menores taxas de empréstimo pessoal do mercado.

D

Dívida ativa

Dívidas com o governo (impostos, multas, taxas) que não foram pagas no prazo e foram inscritas num registro oficial de inadimplência com o fisco.

Na prática: Quem tem dívida ativa com a Receita Federal não consegue emitir certidão negativa de débitos, o que pode impedir a participação em licitações ou o acesso a determinados créditos.

Despesa fixa

Gasto que se repete todo mês com o mesmo valor, independentemente do seu comportamento. É previsível e faz parte do orçamento com certeza.

Na prática: Aluguel, mensalidade escolar e financiamento do carro são despesas fixas — você sabe exatamente quanto vão custar.

Despesa variável

Gasto que muda de valor a cada mês, dependendo das escolhas e do comportamento da família.

Na prática: Supermercado, combustível e lazer são despesas variáveis — você pode gastar mais ou menos, dependendo das decisões do mês.

E

Educação financeira

Conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que permitem a uma pessoa tomar decisões financeiras conscientes e bem fundamentadas ao longo da vida.

Na prática: Saber a diferença entre juros simples e compostos, entender como funciona a inflação e saber montar um orçamento são exemplos de educação financeira na prática.

Extrato bancário

Documento que mostra o histórico de todas as movimentações de uma conta bancária — entradas, saídas, tarifas e saldo — num período determinado.

Na prática: Analisar o extrato dos últimos três meses é um dos exercícios mais reveladores para quem quer entender para onde o dinheiro vai.

F

FGC (Fundo Garantidor de Créditos)

Instituição privada que protege os correntistas e investidores em caso de falência de bancos. Garante até R$ 250.000 por CPF por instituição financeira.

Na prática: Se você tiver R$ 200.000 num CDB de um banco que venha a falir, o FGC devolve esse valor. Por isso CDBs são considerados investimentos seguros.

I

IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado)

Índice de inflação calculado pela FGV que mede a variação de preços no atacado, na construção civil e para o consumidor final. Historicamente usado para reajustar contratos de aluguel.

Na prática: Em 2020 e 2021, o IGP-M chegou a 23% em 12 meses, causando reajustes de aluguel muito acima da inflação sentida pelas famílias.

IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo)

Índice oficial de inflação do Brasil, calculado pelo IBGE. Mede a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos por famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos.

Na prática: Quando o governo diz que a inflação do ano foi de 4,6%, está falando do IPCA — a variação média dos preços que você paga no dia a dia.

IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano)

Imposto municipal cobrado anualmente sobre imóveis urbanos. O valor varia conforme o município e o tamanho e localização do imóvel.

Na prática: O IPTU costuma vencer no começo do ano e pega muitas famílias desprevenidas. Guardar o valor dividido em 12 meses é uma forma de se preparar.

IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores)

Imposto estadual cobrado anualmente sobre veículos. O valor é calculado com base no valor do veículo definido pelo estado.

Na prática: Assim como o IPTU, o IPVA vence no início do ano e deve ser planejado com antecedência para não desequilibrar o orçamento.

J

Juros compostos

Modalidade de juros em que os encargos são calculados sobre o saldo atual da dívida, que já inclui os juros anteriores. O resultado é um crescimento exponencial da dívida ao longo do tempo — o famoso 'juros sobre juros'.

Na prática: Uma dívida de R$ 1.000 com juros de 10% ao mês: após 1 mês vale R$ 1.100; após 2 meses, R$ 1.210 (não R$ 1.200); após 6 meses, quase R$ 1.772.

Juros simples

Modalidade de juros em que os encargos são calculados sempre sobre o valor original da dívida, sem acumular sobre os juros anteriores.

Na prática: Se você empresta R$ 1.000 com juros simples de 5% ao mês, paga R$ 50 por mês de juros — sempre sobre os mesmos R$ 1.000 originais.

L

Liquidez

Facilidade e velocidade com que um ativo pode ser convertido em dinheiro sem perda de valor.

Na prática: A poupança tem alta liquidez — você pode sacar a qualquer momento. Um imóvel tem baixa liquidez — pode demorar meses ou anos para vender.

M

MEI (Microempreendedor Individual)

Modalidade jurídica simplificada para trabalhadores autônomos formalizarem seu negócio. Tem limite de faturamento anual, tributação simplificada e acesso a benefícios previdenciários.

Na prática: Um eletricista autônomo que se torna MEI passa a emitir nota fiscal, ter CNPJ e contribuir para o INSS — o que garante direito à aposentadoria e outros benefícios.

O

Orçamento doméstico

Planejamento das receitas e despesas de uma família para um período determinado, geralmente um mês. Permite decidir com antecedência para onde cada real vai.

Na prática: Um orçamento doméstico simples lista: tudo que entra (salário, renda extra), tudo que sai (contas fixas, gastos variáveis) e o saldo — positivo, zero ou negativo.

P

Poder de compra

Quantidade de bens e serviços que uma determinada quantidade de dinheiro consegue adquirir. Quando a inflação sobe, o poder de compra diminui — o mesmo dinheiro compra menos.

Na prática: Se você ganhava R$ 3.000 em 2020 e ainda ganha R$ 3.000 hoje, mas a inflação acumulada foi de 30%, seu poder de compra caiu — você pode comprar menos com o mesmo salário.

R

Renda fixa

Categoria de investimentos em que o rendimento é previsível — definido no momento da aplicação ou atrelado a um índice conhecido. Exemplos: poupança, CDB, Tesouro Direto.

Na prática: Ao contrário da renda variável (como ações), a renda fixa permite saber aproximadamente quanto seu dinheiro vai render ao longo do tempo.

Renda líquida

Valor efetivamente recebido após todos os descontos obrigatórios — INSS, Imposto de Renda, vale-transporte etc. É o número real que deve ser usado no planejamento financeiro.

Na prática: Se seu salário bruto é R$ 3.500 mas caem R$ 2.900 na conta após os descontos, sua renda líquida é R$ 2.900 — e é com esse valor que você deve montar o orçamento.

Reserva de emergência

Valor guardado especificamente para cobrir situações inesperadas que exigem dinheiro imediato: perda de emprego, doença, conserto urgente. Deve estar em aplicação segura e com liquidez imediata.

Na prática: A recomendação geral é ter entre 3 e 6 meses de gastos essenciais guardados. Para uma família com R$ 3.000 de gastos essenciais, a reserva ideal é entre R$ 9.000 e R$ 18.000.

S

Saldo devedor

Valor total que ainda resta a ser pago em uma dívida, incluindo o principal e os juros acumulados.

Na prática: Mesmo pagando as parcelas em dia, o saldo devedor de um financiamento pode demorar a cair nos primeiros meses — porque as parcelas iniciais pagam mais juros do que amortizam o principal.

Selic

Taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Banco Central a cada 45 dias. Influencia diretamente o custo do crédito, o rendimento de investimentos e a inflação.

Na prática: Quando a Selic sobe, o financiamento imobiliário fica mais caro, mas o rendimento da poupança e do CDB melhora. Quando cai, acontece o contrário.

T

Tesouro Direto

Programa do governo federal que permite a pessoas físicas comprar títulos públicos pela internet, com valores a partir de cerca de R$ 30. É considerado o investimento mais seguro do Brasil.

Na prática: O Tesouro Selic é indicado para a reserva de emergência de quem quer rendimento melhor que a poupança com a mesma segurança.